Integrantes do GMM
Integrantes do GMM
Desfile de 1988 na estação ferroviária
Desfile de 1988 na estação ferroviária
Renato Loureiro, curador da exposição
Renato Loureiro, curador da exposição
Look da marca Comédia no desfile de Ouro Preto
Look da marca Comédia no desfile de Ouro Preto

Mostra reúne no Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte obras de estilistas que revolucionaram o setor  

A Fundação Municipal de Cultura abre ao público amanhã, dia 1 de setembro, no Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte (CRModa), a exposição “Grupo Mineiro de Moda – # Na Vanguarda dos Anos 80”, com uma retrospectiva do grupo de estilistas que colocou a capital mineira no mapa da moda nacional. A curadoria é do estilista Renato Loureiro e o projeto expográfico do arquiteto Pedro Lázaro. A exposição fica em cartaz até o dia 20 de dezembro e tem entrada gratuita.

No início de 1980, dez marcas criaram uma associação de moda em Belo Horizonte, acreditando que a união e o cooperativismo poderiam lhes fornecer força, prestígio e poder econômico, além de visibilidade nacional. Assim nasceu o Grupo Mineiro de Moda, responsável por colocar a capital de Minas na rota dos compradores e da imprensa brasileira. Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura Leônidas de Oliveira, o Grupo Mineiro de Moda, como os grandes movimentos de vanguarda do Estado levou Minas e, especialmente, Belo Horizonte para além das montanhas. “Mostrar à cidade esse movimento, com seus autores e artistas, através da exposição Grupo Mineiro de Moda – #A Vanguarda dos anos 80, é promover o encontro da cidade com a sua memória, vertente importante da política cultural da Fundação Municipal de Cultura” destaca Leônidas.

Marta Guerra, gestora do CRModa, explica que a mostra será o primeiro registro histográfico sobre a importância deste grupo de estilistas que mudou o trajeto de identidade da moda mineira. “Através da moda, Minas criou uma forma de expressão própria e consolidou sua identidade cultural. A valorização regional no design tornou-se fundamental para a compreensão das características e hábitos da cultura mineira. A exposição deverá refletir um amplo exercício de pesquisa sobre o vestuário sob os aspectos da economia, da geografia, da história econômica, dos costumes, da indústria têxtil, dos avanços tecnológicos, da cultura local, dos produtos naturais, da mão de obra, da estética, do significado social dentre outros”, ressalta.

Marketing e moda
O Grupo Mineiro de Moda (GMM) foi o embrião de todos os movimentos que surgiram na moda de Minas Gerais, inclusive o atual Minas Trend, e transformou Belo Horizonte em um polo lançador de tendências, destino glamouroso e imperdível para lojistas e jornalistas de todo o Brasil. Um das suas principais contribuições foi criar um calendário de lançamentos na capital, no que era seguido pelas outras marcas da cidade, além de bancar, com investimentos próprios, desfiles monumentais, que conferiam poder ao setor de confecções do estado. Os jornalistas convidados para essas temporadas eram totalmente patrocinados pelo GMM e suas matérias ajudaram a consolidar o conceito desse polo, divulgando-o nacionalmente. Outro feito foi promover a despolarização do eixo Rio de Janeiro – São Paulo, que sobressaía no segmento da moda.

Inicialmente, o grupo era composto pelas grifes Artimanha (hoje Mabel Magalhães), Allegra, Art Man, Bárbara Bela, Comédia, Femme Fatale (depois Eliana Queiróz), Frizon (sociedade de Cláudia Mourão com Mônica Torres, depois Mônica Torres), Patachou, Pitti (depois Renato Loureiro), Straccio (substituída, mais tarde, pela IBZ). A Printemps, grife comandada por Sônia Pinto, também participou do processo de criação do GMM, mas teve curta passagem.

Atuação do GMM foi muito influente no mercado ao longo das décadas de 1980 e 1990. Em 1994 aconteceu o último desfile da associação de marcas em Ouro Preto para um público de compradores e jornalistas. Antes disso o GMM foi responsável por eventos memoráveis. Destaque para o grande desfile na gare da estação ferroviária de Belo Horizonte, em janeiro de  1988, que lançou as coleções do inverno do mesmo ano com 150 modelos sobre a passarela.

Fonte: ASCOM/FMCBH