Através da pegada étnica e de símbolos de seitas diversas, a designer propõe uma partilha, uma comunhão com a usuária

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Para a marca Mary Design, na busca pela mescla das religiões, ela usou a mistura de materiais nos bordados que se matizam, muitas vezes em cores e efeitos propositalmente desordenados. “Diversas vezes, no estudo para elaborá-la, pensava nos altares mexicanos carregados de flores, comidas e cores, e nos altares hinduístas, budistas e, no meu pensamento, bastaria trocar a imagem do santo adorado, Guadalupe por Buda. No museu Dolores Olmedo, no México, um entalhe em madeira, em que anjos, santos, frutas e bichos faziam parte do mesmo tabuleiro, me levou ao vilarejo Bichinho, próximo de Tiradentes. Lá em Bichinho, na mesma peça também convivem o bem e o mal, o claro e o escuro, a serpente, Eva, Adão e o paraíso”. É esta a viagem da designer.

Devagar com o andor, que o santo é de barro

Ela incluiu artesãos locais na produção. “Os bordados, alguns deles executados por associações como a das bordadeiras de Botumirim (MG), carregam, além dessa mistura, o traço da nossa marca, artesanal, sempre em busca pelo que leva a mão do homem”, explica. Um colar com um olho bordado, um medalhão que traz uma mão e um coração, foram inspirados nos ex-votos, na oferenda do testemunho de um milagre. Os anéis vêm com caráter primitivo, como se tivessem sido encontrados em sítios arqueológicos. Têm a superfície irregular, inacabada, sem a pretensão de uma modelagem perfeita – aliás, primam pela imperfeição.

Os acabamentos envelhecidos, ouro velho e prata velha, são os eleitos desta estação. O caráter étnico é relevante. Os brincos artesanais, levemente agigantados, são aposta da temporada: neles a brincadeira de matérias-primas, cores e banhos diversificados em uma mesma peça se faz presente. Lançada recentemente no mercado, uma linha de tiras bordadas religiosas sacramentam pequenos estandartes da linha casa.

Os patuás trazem, na miniatura de sua modelagem, a ideia de um micro-estandarte. O brinco de pena de pavão e os pingentes de flor de Lótus, a máscara Nô, do teatro japonês, as mandalas com seu significado de unicidade e organização foram executadas pelo método de marchetaria em madeira, pelo mestre Maqueson, “e poderão ser usados como relíquias modernas”, sugere a designer.

Fonte: Salamandra Comunicação

@marydesign

http://www.marydesign.com.br/