Marca de camisetas com conteúdo social e sustentável conta com participação da comunidade quilombola dos Arturos de Minas Gerais

 

Renata Salgado
Renata Salgado veste True

A empresária Camila Chiari, muito conhecida no mercado fashion por várias atividades, está à frente do projeto que reúne moda e trabalho social, suas grandes paixões. A marca True, que ela acaba de lançar em Belo Horizonte,  reúne esses atributos pois foi desenvolvida  em parceria com a comunidade dos Arturos e com a UFMG. Um café da manhã animado reuniu fashionistas, integrantes dos Arturos e profissionais do mercado no restaurante Graciliano|Savassi para evento de divulgação da iniciativa, da nova marca e da coleção.

Juliana Saliba
Juliana Saliba com camiseta True

Histórias, pessoas e roupas

A primeira coleção cápsula, batizada de Simplicidade do Luxo, tem como carro-chefe camisetas trabalhadas em malha com menor impacto ambiental e modelagens modernas. Bordados e tachas adornam as peças, mas o diferencial fica por conta das estampas criadas por Gabriel Lima.

O nome escolhido, True – Real People, Real Fashion tem tudo a ver com o objetivo da marca: contar a verdade através das roupas, saindo do glamour do mundo da moda e mostrando a vida como ela é.  “Vamos contar a história de quem faz e usa nossas roupas. Em nossas redes sociais, estamos fotografando pessoas e relatando a história delas, assim como vamos contar a história dos Arturos e dos quilombolas”, ela enfatiza.

Bia - comunidade dos Arturos
Bia da comunidade dos Arturos veste True
costureiras Arturos 4
Costureiras da comunidade dos Arturos

Slow fashion: ética em pauta

Foi enveredando pelo movimento slow fashion, moda ética e sustentabilidade e por meio de muito estudo e pesquisas que Camila Chiari chegou à comunidade, localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, com grande visibilidade nacional em razão de suas festas e religiosidades.

“Fui fazer uma pesquisa por lá à procura de costureiras e encontrei com a Flávia, que é responsável pelo projeto de economia solidária da UFMG. Descobri que eles já estavam fazendo capacitação em costura no local, já tinham o espaço e máquinas disponíveis. Estava faltando a demanda”.

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Costureiras da comunidade dos Arturos
Carolina Lima
Carolina Lima veste True

O passo seguinte foi uma reunião com os líderes – uma vez que nos Arturos há uma hierarquia e nada acontece sem autorização dos mesmos – e com a equipe de costura. Daí nasceu a motivação e o sonho de um trabalho em parceria.

 

Adriana Carneiro
Adriana Carneiro veste True

Produção sustentável

De acordo com o projeto,  as costureiras recebem um valor justo de mercado para a produção de cada peça. “Estamos acompanhando a capacitação e ajudando com o know how em moda. Nosso objetivo é capacitar o grupo de forma que a confecção seja capaz de gerar renda para elas e suas famílias”, relata Camila.

O processo de comercialização começa no site dos Arturos  e, na medida do crescimento, serão definidos novos canais. “Queremos sentir a aceitação do mercado. Nesse site, vamos divulgar a comunidade e tudo que acontece por lá, para que as pessoas possam conhecer a sua riqueza cultural. Os Arturos já foram reconhecidos como patrimônio cultural de Contagem”, conclui.

True - costureiras Arturos

True - costureiras Arturos 2

Arturos e Quilombolas

 A comunidade é formada por 400 indivíduos descendentes de Camilo Silvério, que teria chegado a Minas Gerais como escravo no terceiro quartel do século 19.

Na região de Esmeraldas, casou-se com Felisbina Rita Cândida. Filho do casal, Arthur Camilo Silvério, que nasceu em 1880 e foi beneficiado pela Lei do Ventre Livre, “pode ser considerado personalidade fundadora da Comunidade dos Arturos, legando-lhe, inclusive, o nome”. (Gomes & Pereira, 2000: 163).

Sua vida foi marcada pela fé e trabalho. Ele sonhava garantir a unidade e sustentação da família. Para isto, fugiu da fazenda onde foi maltratado e açoitado após a morte do pai. Iniciou uma trajetória de trabalhos diversos em fazendas e cidades diferentes. Nesse percurso, em busca de uma vida livre de opressão, acumulou recursos para poder retornar e manter-se, enfim na terra – 6,5 hectares, na zona suburbana de Contagem – herdada do pai.

Fotos costureiras: Fernando Diniz

Fotos coleção: Weber Pádua

Weber Pádua

@salamandracomunicacao

#modadobem

 

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