Com Camilo Lélis e Kelly Crifer no elenco, direção de Rogério Araújo (Os Conectores e Armatrux) e cenografia de Marco Paulo Rolla, a montagem teatral está em cartaz no CCBB BH  

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Centro Cultural Banco do Brasil apresenta “Jardins”, inspirado em noticiários e fatos da vida real.  O  espetáculo segue em cartaz até 17 de julho, com apresentações de quinta a segunda, sempre às 19h – ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). A peça, que celebra o reencontro entre atores e direção, após anos dedicados a projetos paralelos, levanta a questão sobre a realidade estressante e aflitiva a que grande parte de nós está sujeita e que acaba por justificar atos cotidianos, até então, impensados. Com direção de Rogério Araújo (Os Conectores e Armatrux), elenco formado por atores com trajetória comum no grupo Teatro Invertido – Camilo Lélis e Kelly Crifer -, a produção ainda conta com cenografia de Marco Paulo Rolla e trilha de Barulhista.

Um dia comum marcado pelo desaparecimento de um casal de classe média. A investigação deflagra situações limites. Uma fábrica vem a público esclarecer que uma falha potencialmente letal foi encontrada em um de seus produtos: um cortador de beterrabas. A realidade dá sinais de esgotamento enquanto vozes são ouvidas em sinal de manifesto. Essa é a trama da montagem mineira, que a partir de um enredo não linear convida o público a refletir sobre os limites da intolerância, nos quais a sociedade parece imersa, e sobre o próprio fazer artístico.

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Cenário político 

Obra inédita e ficcional, “Jardins” é livremente inspirada no atual cenário político do Brasil. “Mais precisamente reagindo aos últimos anos de uma crise moral e política que nos atravessa, trata desse ‘aparelho’ que apresenta defeito e ora mutila seus cidadãos. Cidadão cujas manchas pelo corpo evidenciam estarem doentes e apresentando sinais de esgotamento”, explica Camilo Lélis, ator e que também assina a dramaturgia do trabalho.

A dramaturgia tem como fio condutor uma ocorrência sobre o desaparecimento de um casal de classe média, os Marcatto, no bairro onde residem, Jardins. Nesse clima de romance policial, as relações pessoais se atritam, a intolerância emerge no discurso contaminado pelas redes sociais e por uma mídia golpista. Em cena, dois policiais representando a Segurança Nacional estão em diligência, investigando o caso, que ganha repercussão nacional. Uma peça fragmentada na qual personagens, atores e público investigam juntos e buscam pistas para esse quebra-cabeça.

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Jardins é a metáfora do espaço delicado, arquitetado para florescer o belo e sorrisos sob o sol da democracia. Mas basta um descuido para tudo ruir. “Em tempos de urgências infinitas, os jardins estão ficando esquecidos, nasceram ervas daninhas, o mato cresceu e tomou conta. Abusos estão sendo cometidos nesse momento, injustiças, golpes, desafetos. O jardim virou uma selva. Estamos perdidos no meio desse matagal”, conta o diretor Rogério Araújo. É nesse jardim que brotam temáticas como a aflição da crise, a opressão, a falência da política, a intolerância, a sobrevivência do artista e o papel redentor da arte.

Processo de criação

Pontos de vista diversos foram moldando a teia textual e dramatúrgica. Textos de Brecht, pinturas de Portinari, filmes, séries, músicas de Elis Regina e Belchior – a pesquisa de um processo criativo repleto de porosidades absorveu informações de todos os criadores envolvidos buscando uma relação criativa mais horizontal. O projeto de “Jardins” não contou com recursos financeiros iniciais para viabilizar tamanho desafio. Aos poucos, a ideia pautada na amizade e resistência arregimentou profissionais de grande afinidade artística, como Barulhista (trilha sonora), Marina Artuzzi (iluminação), o artista plástico e performer Marco Paulo Rolla (cenografia e figurino), Ana Hadad (orientação vocal), o bailarino e ator Fernando Barcellos (orientação corporal), o artista plástico Leonardo Cata Preta (identidade visual), Patrícia Ferreira (produção) e Cris Moreira (gestão e criação de projetos).

Fotos: André Veloso | Divulgação

“Jardins”

Quando: 29 de junho (quinta) a 17 de julho – de quinta a segunda, às 19h

Onde: Teatro II do CCBB BH (Praça da Liberdade – 450 – Funcionários)

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

Vendas: no local (a partir de 21 de junho)

Vendas online: http://www.eventim.com.br (a partir de 21 de junho)

*limite de quatro ingressos por pessoa nas duas modalidades de venda

Informações: (31) 3431-9503 | culturabancodobrasil.com.br/portal/jardins/ |

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